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Caderno de tesouraria da igreja: o que lançar e como fechar o mês

Muita tesouraria começa num caderno de capa dura guardado na gaveta da secretaria, e não há nada de errado nisso. O problema não é o papel: é o caderno em que cada tesoureiro anota de um jeito, o saldo do mês passado que ninguém transportou e a despesa sem comprovante que aparece na véspera da assembleia. Este guia mostra o que lançar, em que ordem, e como fechar o mês de forma que qualquer pessoa da liderança consiga conferir.

Por Igreja em Ordem · Leitura de 4 minPublicado em

O fechamento cabe numa página: saldo inicial, entradas, saídas e saldo final, conferidos contra o extrato e o dinheiro em caixa. Valores ilustrativos.

1. Comece pelo saldo inicial

Todo mês abre com uma linha só: o saldo que veio do mês anterior. Sem ela, o caderno mostra quanto entrou e quanto saiu, mas não mostra quanto a igreja tem. Anote separado o que está no banco e o que está em dinheiro no caixa, porque são esses dois números que você vai conferir no fechamento.

Se o caderno é novo, o saldo inicial é o que existe hoje: o extrato da conta e a contagem do dinheiro em mãos, de preferência com mais uma pessoa da liderança presente. A partir daí, cada mês começa exatamente com o saldo final do mês anterior, sem arredondar.

2. O que lançar em cada linha

Uma linha por movimento, no dia em que ele acontece. Juntar a semana inteira numa linha só parece economia de tempo e vira dor de cabeça na primeira pergunta. As colunas que sustentam a conferência são poucas:

ColunaO que anotar
DataO dia do movimento, não o dia em que você lembrou de anotar.
TipoDízimo, oferta, outra entrada ou saída.
DescriçãoCurta: culto de domingo, conta de luz, campanha da reforma.
FormaDinheiro, PIX, cartão ou transferência.
ValorSempre com centavos.
ComprovanteO número do comprovante ou do recibo, quando existir.
Cada movimento numa linha, no dia em que aconteceu: data, tipo, descrição, forma de pagamento, valor com centavos e o número do comprovante. Exemplo ilustrativo.

3. Dízimo, oferta e outras entradas, cada um no seu lugar

Dízimo e oferta não são a mesma entrada com nomes diferentes. O dízimo costuma ser identificado: quem entrega quer que conste, e a igreja precisa do nome para emitir recibo quando o membro pedir. A oferta do culto pode ser lançada pelo total, sem identificar quem deu.

Outras entradas, como venda da cantina, doação para uma campanha ou aluguel do salão, ganham tipo próprio. Campanha com finalidade definida merece atenção extra: anote o nome da campanha na descrição, para não apresentar como sobra do caixa um dinheiro que já tem destino.

EntradaIdentifica quem deu?Como lançar
DízimoSim, pelo nomeUma linha por pessoa, para poder emitir recibo quando pedirem.
Oferta do cultoNãoUma linha com o total do culto.
CampanhaOpcionalNome da campanha na descrição: esse dinheiro já tem destino.
Outras entradasNão precisaTipo próprio: cantina, aluguel do salão, doação avulsa.

4. Saídas e comprovantes

Toda saída precisa de um papel que a explique: nota fiscal, recibo assinado, boleto pago ou comprovante de PIX. Dê um número ao comprovante, escreva esse número na linha do caderno e guarde o papel numa pasta do mês, na mesma ordem. Quando alguém perguntar por uma despesa, você encontra em segundos.

Despesa sem comprovante acontece, como o pagamento a um irmão que ajudou na manutenção. Nesse caso, faça um recibo simples na hora, com nome, valor, data, motivo e assinatura de quem recebeu. O que não pode é a linha ficar sem nenhum documento por trás.

Cada comprovante leva o número que está na linha do caderno e fica na pasta do mês, na mesma ordem. Despesa sem nota ganha um recibo simples, assinado por quem recebeu.

5. Como fechar o mês

O fechamento é conferência, não reconstrução. Se os lançamentos foram feitos no dia, ele cabe numa tarde tranquila.

Quando o caderno começar a pedir muitas somas repetidas, uma planilha resolve boa parte do trabalho. E quando a igreja precisar de recibo numerado para quem contribui, comprovante anexado ao lançamento e relatório pronto para a assembleia, é a hora de olhar para o Igreja em Ordem: os mesmos lançamentos do dia a dia viram o fluxo de caixa e a prestação de contas, sem passar o mês a limpo. No caderno, na planilha ou no sistema, a ordem do fechamento é a mesma:

  • 1. Some as entradas do mês por tipo: dízimos, ofertas e outras entradas.
  • 2. Some as saídas do mês e confira se cada linha tem comprovante na pasta.
  • 3. Calcule o saldo final: saldo inicial + entradas − saídas. Veja o exemplo logo abaixo.
  • 4. Compare com o extrato do banco e com a contagem do dinheiro em caixa. Os dois juntos precisam dar o saldo final.
  • 5. Se houver diferença, procure linha por linha antes de ajustar. Anote a explicação ao lado.
  • 6. Peça a conferência e a assinatura de outra pessoa da liderança, e transporte o saldo final para a primeira linha do mês seguinte.
Fechamento de exemplo (valores ilustrativos)Valor
Saldo inicial, vindo do mês anteriorR$ 3.240,50
+ DízimosR$ 6.180,00
+ OfertasR$ 1.427,30
+ Outras entradasR$ 350,00
− SaídasR$ 5.312,80
= Saldo finalR$ 5.885,00
Conferência: banco R$ 5.402,00 + caixa R$ 483,00R$ 5.885,00

Perguntas frequentes

Posso usar caderno e planilha ao mesmo tempo?

Pode, desde que um deles seja o registro oficial. O caso mais comum é anotar no caderno durante o culto e passar para a planilha no mesmo dia. O que gera diferença é manter os dois como fonte, cada um com valores um pouco diferentes.

Por quanto tempo devo guardar o caderno e os comprovantes?

Guarde o caderno e as pastas de comprovantes junto das atas e dos relatórios aprovados. O prazo exato depende das obrigações da igreja e do que o contador orientar; na dúvida, pergunte a ele antes de descartar qualquer coisa.

O que fazer quando o saldo não bate?

Não ajuste o número para fechar. Confira primeiro se o saldo inicial está certo, depois procure lançamentos esquecidos, valores trocados e saídas sem comprovante. Se a diferença continuar, registre o valor e a explicação no fechamento e apresente assim à liderança.

Prefere começar pela planilha?

A planilha gratuita já separa dízimos, ofertas e saídas por tipo e calcula o resumo do mês. Funciona no Excel, no Google Sheets e no LibreOffice.

Baixar a planilha de tesouraria da igreja

Na prática, com a ferramenta de

Tesouraria

Em muitas igrejas, o dinheiro passa pelo caderno, pela planilha e pela memória do tesoureiro — e a prestação de contas vira uma maratona de conferência no fim do mês. No Igreja em Ordem, cada dízimo e oferta entra no sistema no momento em que acontece, com recibo numerado e forma de pagamento — e cada despesa, com comprovante e data. O fluxo de caixa se monta sozinho a partir do que foi lançado.

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